Um juazeirense, identificado como Manoel Tenório, é investigado por suspeita de estelionato em casos que envolvem a construção de relações de confiança profissional com vítimas, mediante apresentação de identidade e demandas consideradas fictícias. As denúncias indicam um possível padrão de atuação que teria sido repetido em diferentes contextos. As informações são do PNB.
Em um dos episódios mais recentes, envolvendo uma advogada da cidade de Salvador (BA), o investigado teria se apresentado como cliente em potencial, iniciando contato profissional e encaminhando documentação relacionada a supostas demandas jurídicas. Segundo o relato, a abordagem inicial teria sido suficiente para estabelecer uma relação de confiança entre as partes, levando à realização de repasses financeiros no contexto do atendimento.
De acordo com a denúncia, após surgirem indícios de inconsistências nas informações apresentadas, foi solicitado formalmente o reembolso dos valores a partir de 12 de janeiro de 2026. No entanto, até o momento, os recursos apontados como indevidamente recebidos não teriam sido devolvidos. Ainda conforme o registro, o investigado teria se esquivado de sua responsabilidade, em uma conduta considerada compatível com um possível modus operandi reiterado de estelionato.
Histórico e suspeita de reincidência
As suspeitas sobre a atuação de Manoel Tenório não se limitam ao caso mais recente. Em outubro de 2025, ele foi preso em flagrante no estado do Pará, após denúncia apresentada por Márcio Ivan Lopes Ponte de Souza, diretor de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), vinculada ao Governo do Estado do Pará.
Na ocasião, segundo a denúncia, o investigado teria adotado estratégia semelhante, utilizando-se de suposta posição institucional para conferir credibilidade à abordagem. Ele teria se apresentado como representante do governo da Bahia e integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República. Além disso, afirmava atuar na organização de eventos institucionais para os governos estadual e federal.
Ainda de acordo com o relato, Manoel Tenório mencionava envolvimento em iniciativas de grande porte, incluindo atividades relacionadas à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), realizada em Belém. A referência a eventos de relevância internacional teria sido utilizada como elemento para reforçar a legitimidade das propostas apresentadas.
Nesse contexto, conforme a denúncia, o investigado teria convencido a vítima a firmar um suposto contrato de locação de imóveis e veículos, alegadamente destinados à realização dessas atividades. O acordo teria sido celebrado no valor de R$ 275.550,00.
Padrão de atuação sob investigação
Os casos relatados apresentam semelhanças na forma de abordagem, com destaque para o uso de cargos institucionais, projetos de grande visibilidade e linguagem técnica para estabelecer credibilidade junto às vítimas. A construção de uma relação inicial de confiança, seguida da formalização de acordos e movimentação de valores, aparece como elemento central nas denúncias.
As investigações seguem em andamento, e as autoridades competentes apuram a extensão dos fatos e a possível existência de outras vítimas. Até o momento, não há informações públicas sobre manifestação da defesa do investigado.


