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| Foto: Reprodução |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta segunda-feira (9.mar.2026), no Palácio do Planalto, que Brasil e África do Sul desenvolvam capacidade própria de defesa durante encontro com o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa. Segundo Lula, os ministros da Defesa dos dois países devem se reunir ainda hoje para avançar no tema.
"Aqui ninguém tem bomba nuclear, aqui ninguém tem bomba atômica, aqui os nossos drones são para agricultura, para fins de tecnologia e não para guerra. Nós pensamos em defesa como dissuasão. Se a gente não preparar essa questão, alguém invade a gente", afirmou o presidente.
A captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA em janeiro elevou a percepção de risco na região e reacendeu debates no Planalto sobre a capacidade de defesa e modernização das Forças Armadas. Lula destacou que não é necessário comprar dos "senhores das armas", defendendo que Brasil e África do Sul podem produzir seus próprios equipamentos e unir seus potenciais industriais.
Ramaphosa, por sua vez, condenou os conflitos atuais e pediu cessar-fogo imediato. "Vivemos um recrudescimento dos conflitos e reiteramos um chamado para uma resolução pacífica das disputas. Condenamos as perdas de vidas, principalmente de civis, e condenamos a perda de infraestrutura vital nessa parte do mundo", disse.
Durante o encontro, Lula também solicitou apoio da África do Sul para a participação no FRLD (Fundo para Resposta a Perdas e Danos), mecanismo climático da ONU que busca compensar países vulneráveis pelos efeitos das mudanças climáticas. O tema é relevante para Pretória, que enfrenta pressões crescentes relacionadas ao clima.
A visita de Ramaphosa
O encontro teve como pauta central a expansão do comércio bilateral. Foram assinados dois memorandos:
- Cooperação em turismo, com foco em treinamento e assistência técnica.
- Entendimento entre a ApexBrasil e o Departamento de Comércio, Indústria e Concorrência da África do Sul, voltado para comércio e investimentos sustentáveis.
Ramaphosa afirmou que os dois países "deveriam cooperar em um nível muito mais alto" e que o comércio bilateral "precisa ser muito maior". Em 2025, o intercâmbio entre Brasil e África do Sul somou US$ 2,3 bilhões, número considerado abaixo do potencial das duas principais economias emergentes do Sul Global.
Os líderes devem se encontrar novamente em Barcelona, em 18 de abril, para a 4ª reunião em defesa da democracia, a convite do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez. Também há previsão de encontros no G7, nos Brics e no G20 ainda em 2026. Lula ressaltou que o G20 "não é o mesmo sem a África do Sul", em meio a tensões entre Pretória e Washington, já que Donald Trump excluiu o país da próxima cúpula em Miami.
A visita oficial começou com cerimônia de honra militar na área externa do Palácio do Planalto. Lula aguardou Ramaphosa no topo da rampa, e ambos participaram da solenidade acompanhados de ministros e integrantes da comitiva sul-africana. A agenda em Brasília incluiu ainda o Fórum Empresarial Brasil-África do Sul, organizado pela ApexBrasil em parceria com o Ministério das Relações Exteriores, com participação de representantes do setor privado. Com informações do Poder360.


