O pernambucano é pirracento. 'O Agente Secreto' provou que essa pirraça toda tem razão de ser. Gravado nas ruas do Recife, o filme de Kleber Mendonça Filho não levou nenhuma das estatuetas das quatro categorias que disputou no Oscar 2026 – Melhor Seleção de Elenco, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Filme – neste domingo (15), mas sai de Hollywood com a cabeça erguida, o respeito da crítica e a certeza de que o cinema do Recife pode, sim, sentar-se à mesa dos grandes. O grande vencedor da noite foi 'Uma Batalha Após a Outra', conquistando seis estatuetas, incluindo Melhor Filme.
A primeira participação de 'O Agente Secreto' aconteceu na categoria estreante do Oscar: Melhor Direção de Elenco. Único estrangeiro entre os indicados — o que já reforçava a força do filme pernambucano junto aos votantes —, o longa era representado por Gabriel Domingues, responsável por reunir o vasto número de profissionais e amadores que compõem o elenco, incluindo Wagner Moura. A estatueta, no entanto, ficou com Cassandra Kulukundis, por "Uma Batalha Após a Outra". Era o primeiro capítulo de uma noite que consagraria o épico de Paul Thomas Anderson.
Se havia uma categoria em que o Brasil depositava esperanças concretas, era Melhor Filme Internacional. Depois da vitória histórica de 'Ainda Estou Aqui' em 2025, 'O Agente Secreto' chegava como forte candidato ao bi brasileiro. Na disputa estavam 'Sirât' (Espanha), 'Foi Apenas um Acidente' (França), 'The Voice of Hind Rajab' (Tunísia) e o principal rival, 'Valor Sentimental' (Noruega), de Joachim Trier. O norueguês chegou como favorito ao lado de 'O Agente Secreto', e, para o azar dos pernambucanos, foi ele quem subiu ao palco para receber a estatueta.
Depois do resultado desfavorável em Filme Internacional, a torcida brasileira se voltou para Wagner Moura. A concorrência na categoria de Melhor Ator incluía pesos-pesados como Leonardo DiCaprio, Ethan Hawke, Timothée Chalamet e Michael B. Jordan, mas Wagner carregava o tal "molho" baiano, que fez sua atuação em 'O Agente Secreto' ser aclamada mundo afora. Porém, em sua primeira indicação, Jordan confirmou o favoritismo que vinha se desenhando nas últimas semanas e celebrou a vitória por seu trabalho em 'Pecadores', de Ryan Coogler.
Enquanto o Brasil lamentava mais uma oportunidade perdida, a disputa pelo Oscar de Melhor Filme esquentou de vez. 'Uma Batalha Após a Outra' havia aumentado a liderança com a vitória de Paul Thomas Anderson em Melhor Direção, mas via 'Pecadores' crescer na reta final depois que Michael B. Jordan ganhou em Melhor Ator. O épico de Anderson ainda liderava em número de estatuetas, mas a diferença diminuía e a briga pelo prêmio principal estava mais aberta do que nunca. Já a categoria de Melhor Atriz teve um desfecho mais previsível, com Jesse Buckley subindo ao palco para receber o prêmio.
Façanha
Além de 'Uma Batalha Após a Outra' e 'Pecadores', também eram candidatos à Melhor Filme 'O Agente Secreto', 'Hamnet: A Vida Antes de Hamlet', 'Valor Sentimental', 'Marty Supreme', 'Frankenstein', 'Sonhos de Trem', 'Bugonia' e 'F1'. O longa pernambucano, assim como a maioria, corria por fora na briga contra os dois gigantes da noite. No fim, quem enfileirou prêmios desde o começo levou a melhor. Paul Thomas Anderson subiu mais uma vez ao palco para a sexta estatueta de 'Uma Batalha Após a Outra' e cravou seu nome na história do cinema, assim como Kleber Mendonça Filho. Afinal, colocar o Recife em Hollywood já é, por si só, um feito histórico.


