O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, declarou nesta quinta-feira (26) que a "paciência se esgotou" e anunciou "guerra aberta" contra o Afeganistão, após uma nova escalada militar entre os dois países. A tensão envolve o grupo Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), que atua contra o governo paquistanês. Segundo autoridades, militantes do TTP se escondem no Afeganistão e organizam ataques a partir de lá, o que é negado pelo governo afegão.
No último fim de semana, o Paquistão realizou bombardeios contra acampamentos do TTP e do Estado Islâmico em território afegão. O Talibã, que governa o Afeganistão, prometeu uma "resposta apropriada e proporcional". Mais cedo, o Afeganistão anunciou ofensiva contra posições militares paquistanesas na fronteira, em retaliação aos ataques. Horas depois, o Paquistão bombardeou Cabul e outras cidades afegãs, segundo o porta-voz do governo afegão, Zabihullah Mujahid. Ainda não há informações sobre vítimas.
Em redes sociais, Asif acusou o Talibã de transformar o Afeganistão em abrigo para militantes internacionais e de retirar direitos básicos da população, especialmente das mulheres. Ele afirmou que o Paquistão tentou resolver a situação por meio da diplomacia, mas agora dará uma "resposta decisiva". "Nossa paciência se esgotou. Agora é guerra aberta entre nós. Agora será confronto total", declarou.
A troca de ataques ameaça o cessar-fogo mediado pelo Catar em outubro, que vinha sendo mantido apesar de episódios esporádicos de violência. Negociações realizadas em novembro não resultaram em acordo formal. Nesta quinta, o porta-voz do Talibã disse que, caso o Paquistão ataque Cabul ou grandes cidades, o Afeganistão atingirá "centros-chave e cidades importantes" do país vizinho. Segundo ele, o grupo não busca ampliar o conflito, mas responderá a agressões.
A ONU pediu que os dois lados protejam civis e busquem uma solução diplomática para o impasse. Com informações do G1


